O que realmente gera valor para a sua audiência. Essa foi a pergunta que guiou uma conversa profunda com Cléber Puch, designer com trajetória que passa por indústria, academia, grandes corporações e, agora, um retorno forte ao fazer, ao construir, ao materializar.
Falamos muito sobre como o design, ao longo dos anos, se aproximou do pensamento estratégico, dos modelos de negócio, do design thinking, e em muitos casos se afastou do craft, da construção real das coisas. Cléber trouxe uma provocação importante, não basta prescrever, não basta mapear problemas e entregar relatórios, é preciso assumir também a responsabilidade pela entrega final, pela qualidade do que chega nas mãos das pessoas.
Esse ponto conecta diretamente com a ideia de valor. Valor não é uma verdade absoluta, é percepção. O que gera valor muda com o tempo, muda com o contexto, muda com a cultura. Muitas vezes o que um designer considera baixa qualidade pode ainda ser altamente valioso para a audiência, como no caso de serviços baratos e cheios de fricções, mas que entregam exatamente o que a pessoa prioriza, preço.
A conversa também passou por um tema essencial, a diferença entre qualidade e valor. Um produto pode ser tecnicamente impecável e ainda assim não gerar valor real para quem usa. Ao mesmo tempo, soluções cheias de imperfeições podem dominar mercados porque respondem a uma necessidade muito clara. Isso nos obriga a sair do nosso próprio ponto de vista e olhar com mais atenção para o que as pessoas realmente priorizam.
Cléber também trouxe uma camada mais humana do processo criativo. Falamos de intuição, imaginação e inspiração. A intuição não surge do nada, ela é fruto de repertório acumulado, de experiências, de referências absorvidas ao longo do tempo, mesmo aquelas que não percebemos conscientemente. É esse acúmulo que, em certos momentos, se transforma em um insight que parece mágico, mas na verdade é resultado de muita vivência.
No fim, a pergunta inicial volta com mais força, o que realmente gera valor para a sua audiência. Talvez a resposta esteja menos em fórmulas prontas e mais na nossa capacidade de observar, de ouvir, de sentir e, principalmente, de transformar tudo isso em algo concreto, bem feito e relevante para quem está do outro lado.