Tem conversa que começa leve, quase despretensiosa, e quando você percebe já está discutindo o futuro da profissão. Esse episódio foi exatamente assim. Entre risadas sobre rotina de gravação e bastidores de podcast, a conversa rapidamente mergulhou em um tema que está no centro da transformação do design hoje: como as ferramentas estão deixando de ser apenas meios de execução para se tornarem agentes ativos na forma como pensamos, colaboramos e construímos produtos.
O ponto de partida foi o Figma, mas o assunto ficou muito maior do que a ferramenta. Falamos sobre comunidade de verdade — aquela que não vive só na tela, mas que se encontra, troca, ensina e aprende junto. A força de movimentos como o Friends of Figma mostra que o design não é mais uma prática isolada. Ele é cultura, é rede, é construção coletiva. E isso muda completamente o nível da conversa profissional.
Entramos então em um território inevitável: inteligência artificial. Mas longe do discurso raso de “a IA vai substituir designers”, a discussão foi para um lugar mais interessante e mais real. A IA aparece como amplificadora de processo. Ela acelera a visualização de ideias, aproxima áreas que antes trabalhavam em silos e permite que mais pessoas participem da construção de soluções. Produto, engenharia e design começam a dividir o mesmo espaço de criação desde o início, e isso muda o jogo.
Um dos pontos mais fortes foi perceber que essa transformação não é só técnica, é comportamental. Designers precisam desenvolver novas habilidades, principalmente comunicação, pensamento crítico e visão de negócio. Quando qualquer pessoa consegue gerar uma interface básica com ajuda de IA, o valor do designer sobe de camada: menos “operador de ferramenta”, mais estrategista, tradutor de complexidade e guardião da experiência.
Falamos também sobre algo que ainda é pouco discutido na América Latina: o espaço para designers ocuparem cadeiras mais estratégicas dentro das empresas. A evolução natural da área passa por designers fundando empresas, liderando áreas de produto e participando de decisões de negócio desde o começo. Não é mais só sobre tela bonita ou fluxo bem resolvido. É sobre impacto, direção e visão de futuro.
No fim, a sensação que ficou é que estamos vivendo uma virada parecida com a que aconteceu quando o design saiu do Photoshop estático e entrou no mundo colaborativo do Figma. Só que agora a mudança é mais profunda: é a passagem do design como entrega para o design como conversa contínua dentro do ecossistema de produto.
Se você trabalha com design, produto ou tecnologia, esse não é um movimento opcional. É o novo terreno onde as decisões estão sendo tomadas.