Tem episódio novo no ar e desse tipo que parece uma conversa de bar, mas entrega um monte de insight prático sobre carreira, mercado e como o design funciona (de verdade) quando a régua é alta.
Nesse papo, eu e o Rodrigo Lemes recebemos o Luiz Bordim, brasileiro que hoje trabalha como Product Designer na Meta, nos times de monetização do Facebook, com foco em otimização de Ads usando GenAI. Sim: aquela realidade onde “uma vírgula” pode mexer em milhões (ou bilhões) e onde processo não é frescura, é gestão de risco.
A conversa começa leve, com bastidor e piadinha (sim, rola até história de teclado “do grupo Polegar” e trilha de intro), mas rapidamente vira uma aula sobre o que muda quando você sai do Brasil e vai operar num ecossistema global.
O que a gente conversa no episódio
1) Brasil x EUA: generalista, especialista e o valor de “se virar”
A gente entra num tema que é quase identidade cultural: por que o designer brasileiro costuma ser mais “multifacetado”, mais generalista, mais resolvedor, e como isso vira diferencial fora.
O Luiz Bordim conta uma história ótima de quando estava em consultoria e viu, na prática, como algumas estruturas são mais rígidas (“isso não é minha função”), enquanto a gente, no Brasil, costuma ir lá e dar um jeito: aprende, testa, faz acontecer.
2) Mercado pequeno, mobilidade e “carreira dentro da empresa”
Outra parte muito boa: a lógica de mobilidade.
A gente fala de como, em mercados menores (tipo Portugal), ficar pulando de empresa em empresa tem um limite. Já em big tech, muitas vezes você muda de cenário sem sair da empresa, muda de time, de produto, de contexto (Instagram, WhatsApp, etc.). O jogo é outro.
3) Processo de produto quando “não dá pra acreditar”
Aqui tem ouro pra quem trabalha com produto.
A conversa entra em como times na Meta estruturam decisão: hipóteses, embasamento, alinhamento entre áreas, reviews, pesquisa (inclusive reaproveitando pesquisa de outros produtos), e o porquê disso ser necessário num ambiente onde o impacto é gigantesco.
E tem um ponto que eu curto muito: o Luiz Bordim defende que o designer precisa internalizar o processo, mas não ficar “performando Double Diamond” o tempo todo. Não é sobre seguir ritual, é sobre chegar na decisão com base, do jeito certo pro contexto.
4) Senioridade, níveis e a régua real do mercado
A gente também fala sobre como as empresas por lá lidam com senioridade: menos “título no LinkedIn”, mais níveis internos (IC3, IC4, IC5…) e escopo real do trabalho. E como, pra júnior, o caminho costuma ser diferente (muitas vezes via universidade + estágio), especialmente por conta de visto e critérios formais.
5) O “lado B” de morar fora (e o que ninguém posta no Instagram)
Um trecho bem honesto: viver fora não é só mil maravilhas. Tem adaptação cultural, forma diferente de se comunicar, limites do que é “normal” ou “invasivo” no trabalho, e um ajuste de expectativas que pesa, principalmente quando você muda com 30+ e já vem “formatado” por outra cultura.
E isso tudo afeta o trabalho. Porque design não é só desenhar tela: é colaboração, política, leitura de ambiente, e entender as regras não escritas do lugar onde você está jogando.
Por que vale ouvir (ou assistir)
Se você é designer e está:
- pensando em trabalhar fora,
- tentando entender o que big tech valoriza,
- ou simplesmente querendo evoluir sua leitura de carreira além do craft…
…esse episódio é um baita mapa mental. Leve, engraçado, e cheio de insight aplicável.
👉 Assista ou ouça episódio completo, e depois me conta: qual parte pegou mais pra você?
E se curtir o papo, marca a gente e pede a volta do Luiz Bordim, porque dá tranquilamente pra fazer parte 2.
Bora?